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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A verdade sobre 1987 - Até que enfim alguém fala sério dobre esse fato


Esse comentário foi publicado no sítio supervasco.com e foi feito pelo excelente vascaíno Silesio da cidade de Braço do Norte no estado de Santa Catarina.
Atentem para a clareza dos fatos e tirem suas conclusões.

Sport Campeão
Em 1986, o campeonato BRASILEIRO foi decidido entre São Paulo e Guarani, com o SP sagrando-se campeão.
Naquele tempo, o campeonato era disputado por muitos times e os clubes dos grandes centros, os maiores em termos de títulos e torcida, resolveram se unir e criar um campeonato exclusivo com eles, os doze maiores do Brasil: São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Santos, Grêmio, Internacional, Flamengo, Vasco da Gama, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro e Atlético Mineiro. O Bahia, que era dirigido por um homem com muita força no futebol, o Paulo Maracajá, e sempre atraía grandes públicos para a Fonte Nova, brigou muito, fez pressão e conseguiu sua inclusão, nascendo assim o famigerado Clube dos Treze.
Eles procuraram a Rede Globo, que gostou da idéia, e conseguiram com a Coca-cola o patrocínio do torneio, com a Coca colocando sua marca na camisa de todos os times, nos prismas principais dos estádios e nas transmissões da Rede Globo.
A CBF foi contrária pelo fato de que, apesar dos clubes se acharem os maiores do Brasil, e alguns realmente eram, no campo e na bola jogada no ano anterior, muitos ficaram mal classificados: o Vasco, por exemplo, tinha caído para a 2ª divisão. Então, a CBF fez ver ao Clube dos 13 que qualquer clube que se achasse prejudicado entraria com ação judicial e ganharia.

Sport, o Campeão

Protesto contra a Coca-cola
Então, o “Clube dos 13″ teve uma “brilhante” idéia: um campeonato com todos os 32 clubes da primeira divisão, divididos em dois módulos, com 16 clubes cada.
O verde, com os clubes pertencentes a ele, os dois clubes não participantes do “Clube dos 13″ melhores classificados no ranking da CBF (Goiás e Curitiba) e o Santa Cruz, que entrou no bolo por causa da pressão política exercida por Marco Maciel e pela amizade pessoal que o seu presidente tinha com Marcio Braga, presidente do Flamengo e primeiro presidente do “Clube dos 13″; e o módulo amarelo, composto pelos demais clubes que tinham direito adquirido em campo de jogar a Primeira Divisão do futebol Brasileiro.
Cada módulo teria sua disputa, jogando todos contra todos em turno e returno. No final, o 1º e o 2º colocados de cada módulo fariam um quadrangular e decidiriam o campeão e o vice do Campeonato Brasileiro.
A segunda divisão também seguiu o mesmo critério, divididos em módulos azul e branco (as cores dadas aos módulos foram em homenagem a bandeira do Brasil).
Sendo assim, deu-se início ao Campeonato Brasileiro de 1987. Aí veio a grande SAFADEZA, típica atitude de abuso de poder das elites que acham que tudo podem em nosso País.

Quando já estava perto da definição dos representantes de cada módulo, para a disputa final, o “Clube dos 13″ convocou uma reunião do Conselho Arbitral e propuseram uma mudança no regulamento: não haveria mais a realização do quadrangular final e o campeão e o vice do módulo verde seriam decretados, automaticamente, campeão e vice do brasileiro.
Em votação, eles obtiveram a maioria dos votos a favor da mudança, porque além de contar com a unanimidade dos votos dos membros do módulo verde, alguns capachos do módulo amarelo também votaram a favor, como o Náutico, que objetivou claramente prejudicar o inimigo local, o SPORT, melhor time do Módulo Amarelo.
Mas aí veio o grande erro do “Clube dos 13″, que não era comandado por pessoas tão inteligentes quanto os mesmos se achavam.
O Regulamento do Conselho Arbitral previa que para se aprovar o regulamento de uma competição, logicamente antes do início dela, precisava-se da maioria dos votos a favor, PORÉM, DEPOIS DE INICIADA A COMPETIÇÃO, O REGULAMENTO SÓ PODERIA SER MUDADO POR UNANIMIDADE DOS VOTOS do Conselho Arbitral e não apenas pela maioria dos votos.
Esta norma existia justamente para evitar que os times com maior poder pudessem se unir e usar deste poder em favor de si mesmos, durante uma competição.
Este erro foi decisivo para que o Flamengo e seu “inteligente” presidente perdessem, no futuro, todas as tentativas jurídicas de conseguir o título de campeão brasileiro de 1987.
A CBF então fez o justo e o que estava conforme a Lei e não aceitou a falcatrua maquinada pelos mafiosos que na época estavam à frente do “Clube dos 13″, confirmando a realização do quadrangular final.
As primeira e segunda rodadas foram marcadas, mas Flamengo e Inter não apareceram e a CBF acabou marcando dois jogos entre SPORT e Guarani, sendo o primeiro em Campinas, com empate de 1X1, e o segundo na ILHA, 1X0 para o SPORT, com gol de Marco Antônio.
O fato da Globo não ter transmitido os jogos deu-se em virtude do boicote que os clubes integrantes do Módulo Amarelo fizeram à Rede Globo e à Coca-cola, que juntamente com o “Clube dos 13″ se achavam donas do futebol brasileiro e só patrocinaram os clubes do Módulo Verde.
Homero Lacerda, presidente do SPORT Recife na época, proibiu a entrada de profissionais da Rede Globo na Ilha e fechou a transmissão do jogo pelo SBT, eterna emissora rival da Rede Globo. O mesmo fez o presidente do Guarani.
O Flamengo tentou de todas as formas anular a decisão da CBF e perdeu em todas as instâncias judiciais, no âmbito desportivo e também da Justiça Comum, sendo inclusive ameaçado de punição pela FIFA, que também reconhece o título de 1987 como sendo do Sport.
Por fim, SPORT e Guarani foram homologados campeão e vice-campeão brasileiros de 1987, tendo inclusive representado o Brasil na disputa da Taça Libertadores da América de 1988.
Como se pode ver, o SPORT derrotou a todos que se dignaram a enfrentá-lo nos gramados (como o vice-campeão brasileiro do ano anterior: O Guarani) e nos tribunais (os que não tiveram decência de enfrentá-lo nos gramados, como Flamengo e Internacional).
Esta história marca a luta de um time nordestino que enfrentou sozinho o poder dos maiores times do Brasil, que unidos com a Rede Globo e a multinacional Coca-Cola, acharam que poderiam fazer prevalecer sua vontade sobre o que era justo e dentro da Lei.

Algumas mentiras que se repetem até hoje:

” SPORT e Guarani eram da segunda divisão.”
Mentira: Como poderia ser o Guarani da segunda divisão se era o vice campeão de 1986?
A segunda divisão foi disputada com os Módulos Azul e Branco.

“A CBF mudou o regulamento.”
Mentira: Quem tentou mudar regulamento, após o início da competição, foi o Clube dos 13, mas não teve êxito, pois isto só seria LEGAL com a UNANIMIDADE dos votos dos membros do Conselho Arbitral, o que não ocorreu.

” O Flamengo recebeu a taça.”
Mentira: A taça foi entregue ao SPORT e está na Ilha do Retiro, n
a sala de troféus do SPORT, para quem quiser ver.ok

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Futebol brasileiro atualmente


quando criei esse blog coloquei como um dos temas FUTEBOL NÃO ALIENADO, e o momento não é mais propício para abordar esse tema, findo o campeonato brasileiro o que vemos é a lógica brasileiro- do jeitinho brasileiro. O que aconteceu na partida do maracanã no último domingo tá publico para o mundo ver na internet. O jogador do grêmio dando instrução para não chutar mais à gol a partir daquele momento( por que o título do flamengo tava garantido) é essa a realidade do futebol brasileiro que nada mais é do que reflexo da sociedade brasileira, dos governadores que são flagrados recebendo propina, de um programa social meramente eleitoreiro e copiado dos neoliberais.
Nosso país não tem jeito e eu sozinho não vou mudar essa realidade. Só não vou é querer ter nunca essa prática.
O título do campeonato brasileiro coincide com um dos maiores escândalos políticos no Brasil. Alguém duvida que esses fatos não tem relação? quem achar que não é porque não conhece a verdadeira história da sociedade brasileira.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Crônica de Airton Monte


Eis a crônica de virtuoso intelectual cearense Airton Monte que foi publicada no jornal O POVO no dia 5 de Março de 2009.


A morte da mãe


Meu compadre Chico Newton está sofrendo uma dor horrível, aquela dor das inenarráveis que a gente sente quando perde a mãe e que nos reduz, de forma tão cruel, à desamparada condição de órfãos. E quando já nos tornamos órfãos, quando adultos, a dor da orfandade nos fere fundo e mais profundo. Sei muito bem disso porque já vivi tal condição e que me foi supremamente difícil superá-la. Jamais senti uma dor afetiva tão por demais excruciante que chega a ser física, orgânica como uma doença terminal e na casa do sem jeito. E palavras de nada adiantam nesta hora, ficam vazias e sem nenhuma serventia.

Quando minha mãe morreu, depois de uma longa doença que me parecia interminável, eu estava de plantão no hospital e foi a voz trêmula e chorosa de minha mulher que me contou. Entanto, não sei como consegui até hoje, mantive-me em uma calma frieza, atendi o resto dos pacientes que ainda me esperavam e fui ao cemitério para ver como estavam as coisas. E ao ver a minha mãe ali morta no caixão, somente com a ajuda de uma benvinda garrafa de uísque, consegui voltar pra casa, pegar a máquina de escrever e datilografar a crônica do dia como se estivesse em um estado sonambúlico.

Ao depois que tudo passa, pelo menos parcialmente, após o enterro, as condolências vãs, o aconchego familiar, sobre nós se abatem as velhas culpas que até já havíamos esquecido: por que não tentei ser um filho melhor, não lhe dei mais carinho, não lhe perdoei alguns erros, que agora se me parecem tão inúteis? Entanto, agora já é demasiado tarde para voltar agras porque tudo acabou e a mãe é morta. E estamos simplesmente, doloridamente órfãos, sem mãe e isso é tudo que ora importa. Filhos são assim, um amontoado de culpas que jamais se dissolvem, se desmancham no ar. Ficam em nós, entranhadas feito uma unha encravada e doem.

É, esse negócio de morte de mãe é mesmo, sempre uma barra pesada, mesmo que você goste mais do pai do que da mãe. Dizer que as mães não tinham o direito de morrer, todo mundo sabe que não passa de uma mera e banal figura de retórica que a gente repete, quando em vez, pra se consolar da perda, porque a mãe, por pior madrasta que tenha sido em vida, continua sendo mãe e aureolada por uma aura de sagrado. Toda vez que quero rever a minha mãe, não vou ao cemitério, vou à casa de meu pai. É ali que seus gestos estão impressos, seus risos estão impressos, suas dores estão impressas, indelevelmente.