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domingo, 31 de maio de 2015

Crônica - Linha do Equador - 31 de Maio 2015

Como o calendário passa rápido! Olho para a folhinha que marca datas e vejo que já vamos bem longe neste ano. Cinco doze avos dele já se foram, ( embora esta fração de números primos entre si dêem uma vaga idéia de proporção percentual ) logo mais será meia noite e a folha vira. Incrível como ainda ontem sentia o cheiro de pólvora dos foguetes que estouravam pelas ruas anunciando mais um ano novo. Estou sempre em conflito com o tempo, sei que essa contenda será constante até eu ser pugilado definitivamente por ele. Tarde. Sol à pino. Impossível ter ânimo para sair e encarar essa incidência mortal dos raios solares. Aqui bem próximo á linha do Equador é assim mesmo: das onze da manhã até as três da tarde fica difícil para expôs-se ao astro rei! Passam das quatro e meia agora, eis que agora me aventuro a perambular pelas ruas da urbe, tarde de ócio de um despotismo do nada a fazer! Caminho à esmo sem ter itinerário definido , meu percurso é planejado imediatamente a medida que meus passos evoluem. Nessa jornada, percebo o quanto nosso espaço urbano está modificado, percebo a diferença maior ainda naqueles onde a tempos não faço estada. Nossa cidade cada dia tem menos espaços livres, menos terrenos vazios. Não sou urbanista, mas compreendo que isso é mau. Onde estão nossos espaços de lazer? Onde estão os campos de terra do nosso país do futebol?– A cidade perde espaço livres e ganha prédios de mau gosto, cafonas, prédios de vários pisos. Ainda a pouco passei por uma alameda ladeada de altas construções de lado a lado. Quando passei por lá fiquei sufocado, o ar não circulava por ali. Avanço. Passo noutro logradouro onde um homem irresponsavelmente despeja litros e litros de água num jato na lavagem de seu semovente. Despudoradamente o homem comente este irresponsável ato. A tarde está quase se despedindo, retorno as cercanias do centro da urbe, prontamente entro no tradicional “Ratisbona” , o café de minha predileção, como ainda é cedo o público presente ali é diminuto. Sento-me na tradicional mesa no lado leste do salão. Solicito ao garçom um licor de jenipapo e fico observando os tipos que campeiam o ambiente. Impressionante como todos estão com os rostos colados a um celular ou coisa do tipo. Esse moços não se dignam sequer a levantar a cabeça para a troca de um simples diálogo real . A situação piora quando o garçom que atende a minha mesa recebe em seu smartphone pousado em um dos bolsos de seu jaleco, um sinal sonoro tal qual um assobio que ato contínuo faz com o barmen retirar o celular e colar a vista detidamente na tela do celular, ele deixa escapar um sorriso no canto da boca. Essa foi à gota d’água para a minha despedida antecipada daquele local. Já chega! O turbilhão de fatos acontecidos neste fim de tarde foi o bastante para que eu retornasse a segura fortaleza que é minha casa, minha birosca de solidão, onde eu me compreendo tudo e convivo com os fantasmas que perambulam e compreendem minha fala subjetiva, minhas idei